Lakers precisam deixar a megalomania no passado

(Foto: Divulgação/NBA.com)

O mês de dezembro fez com que os Lakers entrassem em queda livre. De um time que competia em todos os jogos, fazia valer a pena ficar acordado até às 4h da manhã para ver a evolução de Ingram, Lonzo, Kuzma e companhia. Com uma tabela extremamente difícil, quiçá o mês mais complicado dentre todos os times da NBA, os comandados de Walton acumularam derrotas e muitos fãs passaram a pedir a cabeça do treinador.

Aviso desde já que este texto não vai avaliar questões táticas do jogo, rotações e jogadores em posições erradas, como Larry Nance Jr. atuando como pivô. É um assunto para uma outra hora, quando tivermos tempo para escrever, já que, por conta da vida adulta – não queiram crescer crianças, tudo é uma bela cilada – ter alguns instantes para relaxar e pôr as ideias no papel ficou cada vez mais difícil.

Como já dito acima, Walton tem falhas, algumas delas, inclusive, são complicadas de entender. Contudo, para analisar a real situação do time é preciso olhar um pouco mais alto. É preciso observar as três cabeças que pairam sobre Walton: Jeanie Buss, Magic Johnson e Rob Pelinka, principalmente este dois últimos devem ser observados com cuidado e com os dois pés atrás.

Entendo a idolatria que o eterno camisa 32 tem pelos fãs da franquia e do esporte. Magic possui uma coisa que poucas pessoas no mundo tem, o carisma. Por conta disso, suas ideias e projetos ficam mais palatáveis, é mais fácil acreditar que tudo ficará bem. Magic sabe convencer, sabe fazer com que todos acreditem que tudo dará certo. As atitudes, porém, ao menos para este que escreve este texto, tornam tudo muito estranho e obscuro.

Desde sua chegada, Magic vendeu que os Lakers iriam abrir espaço para contratar, via Free Agency, duas estrelas. Boa parte da torcida abraçou a ideia já que desde 2013 a equipe não chega aos Playoffs. Mas, analisando a fundo – já chegarei ao ponto em que este discurso prejudica e muito o trabalho de Walton em quadra – como este projeto difere daquele colocado em prática por Mitch Kupchak e Jim Buss? Ou alguém aqui se esqueceu do patético fracasso na tentativa de trazer à Los Angeles LaMarcus Aldridge? Teve até artista vestindo uma camisa dos Lakers do ala-pivô. Resultado? O jogador teve de pedir uma nova reunião com o staff da equipe para falar de basquete, assunto que ficara esquecido na primeira reunião.

Buss e Mitch fracassaram por uma caminho bem parecido com que a dupla “Maginka” colocou a franquia. Jim quase trocou Ingram por DeMarcus Cousins, oferta que foi retirada da mesa após Jeanie vetar a possibilidade. Um ex-jogador nosso foi trocado por motivos parecidos, mas a desculpa sobre comportamento e liderança tornou tudo mais simples.

A sede por estrelas, por vencer, para voltar a ser relevante. Este desespero tem feito com que os Lakers se machucassem profundamente durante todo este processo. Vale dar uma olhada no que 76ers e Celtics fizeram em seus rebuilds, principalmente nossos maiores rivais. Adquiriram picks e outros assets que depois de anos, permitiram a chegada de Kyrie Irving e Gordon Hayward. Duas estrelas, elevando o patamar da franquia, e não precisando abrir a mão de nenhum jovem promissor. Presente e futuro garantidos.

O 76ers, mesmo com uma série de problemas, também soube pavimentar um caminho e só pode ser atrapalhado pelas contusões. Embiid, Simmons e espaço na folha salarial para trazer uma estrela no próximo período de contratações. (Não citei o Fultz por conta da lesão e ainda não vimos o suficiente para colocá-lo nesta equação).

Agora, vamos voltar para os Lakers. Um time que anuncia quem fará parte de um projeto e quem não faz aos quatro cantos. Magic até tentou motivar quem não está nos planos antes da temporada começar. “É melhor a liga ficar atenta ao que Julius Randle fará nesta temporada”; “Jordan Clarkson tem de brigar pelo prêmio de melhor reserva da NBA”. Como motivar jogadores se eles estão ali somente para trocas? Como fazer com que jovens joguem em nível máximo todas as noites por uma franquia que não te quer no longo prazo?

Há poucas semanas, uma reunião entre comissão técnica e jogadores aconteceu para lavar a roupa suja. O motivo? Pasmem. Os jovens queriam saber o que aconteceria com eles. Dias antes, Bogut tinha dito que este problema estava atrapalhando a cabeça dos jogadores. A partir desta reunião a equipe parou de competir. Os Lakers atuam como se estivessem quebrados. Um time organizado defensivamente e sempre causava problemas para qualquer equipe que os enfrentasse. OKC e Hornets terminaram rindo. Westbrook, Carmelo e Paul George, em quadra, zoaram – ainda em quadra – o último destes sobre a possibilidade de jogar em Los Angeles.

Como uma estrela vai aceitar vestir o manto roxo e dourado se a franquia não oferece o mínimo de organização e o trata como o salvador da pátria? Os astros procuram por franquias que têm uma base estabelecida e estes são apenas a peça que faltam para conquistar um título. De maneira sincera, reflita: Os Lakers oferecem isso?

Magic e Pelinka precisam definir um plano urgentemente. Os Lakers precisam de uma linha de trabalho clara e concisa e que não se baseie apenas em trazer estrelas. Trazer jogadores por apenas um ano visando Paul George, LeBron James, Cousins, entre outros, não vai levar a franquia a lugar algum. Tirar jogadores dos planos publicamente e trazer outros apenas para agradar agentes de estrelas – Olá, KCP – não faz dos Lakers um destino desejável, muito pelo contrário. Os jogadores passam a jogar por eles, muito por conta de terem sido descartados por quem deveria dar suporte.

Não estou dizendo que não vai dar certo. Adoraria que em julho os Lakers trouxessem duas estrelas e voltassem aos Playoffs. Mas o passado e como o presente têm se apresentado faz olhar para o outro lado com medo e com nostalgia. Parece que já assistimos a este filme. E vale olhar para o futuro: Jovens estrelas, assim que se tornam agentes livres, procuram por lugares que ofereçam melhores condições na briga por títulos. O que está sendo construído hoje pode, sim, impactar na hora de segurar Lonzo, Ingram e Kuzma por aqui. “Falta muito tempo ainda para se preocupar com isso!”, alguém pode pensar. Desde 2013-2014 os Lakers não sabem qual caminho vão tomar. Já faz 5 anos que a franquia está patinando para se encontrar. Então, será que já não é hora de se preocupar com o futuro de nossos jovens em Los Angeles?

Como dito no título deste texto, a megalomania tem custado caro aos Lakers. O time não precisa dizer para o mundo inteiro que vai contratar estrelas. Os Celtis trabalharam quietos e hoje colhem os frutos. E não preciso nem dizer que a sede da franquia por estrelas pode entregar mais um jovem promissor aos nossos maiores rivais ou até mesmo para os 76ers?

Antes de encerrar o texto, uma outra reflexão: Magic e Pelinka apareciam constantemente para falar sobre cap space, estrelas e como o Lakers é maravilhoso. No momento em que as coisas estão caindo ambos desapareceram. Curioso, no mínimo.

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Julius Randle e o que o Lakers quer ser

Este é um texto oportunista. Melhor admitir de saída, especialmente por esse ser motivado por um relato confiável a respeito de algo do qual você bate na tecla há meses e tem sua construção confirmada em algum grau. Ou, quem sabe, alguém mereça ser mencionado de vez em quando no Los Angeles Lakers além de Lonzo Ball.

San Antonio Spurs v Los Angeles Lakers

Ao relatar em aparição na ESPN que Julius Randle dificilmente continuará com o Lakers para a próxima temporada, Adrian Wojnarowski, o famoso Woj, apenas chamou atenção para algo esperado por quem andou prestando atenção nos sinais, concluindo que o destino do jogador estava traçado, ainda que ele precise se confirmar, tudo a partir da infame trade de D’Angelo Russell e as declarações que a ela se seguiram: para ter uma chance a tentar dois superstars (ou melhor dizendo, jogadores que exigirão contratos máximos) na Free Agency de 2018, tudo está valendo para a diretoria do Lakers.

Um pequeno histórico da carreira de Randle se faz necessário:

  • Após quebrar a perna minutos adentro em sua estreia na NBA, Randle teve seu segundo ano sob o comando de Byron Scott, onde era titular, mas vivia sob ameaças do treinador, que o removia do time titular e o utilizava como mero enfeite no showzinho particular de Kobe Bryant, situação compartilhada pelo seu agora ex-companheiro D’Angelo Russell.
  • Em seu terceiro ano, sob o comando de Luke Walton, Randle e os demais jovens ganharam protagonismo, em especial na segunda metade da temporada, quando Julius se descobriu como um big que poderia iniciar o playmaking do perímetro, combinando bem com Russell em screens e kickbacks.
  • Após ainda receber críticas por sua defesa e condição física, Randle modificou completamente seu corpo para melhor atuar em trocas na defesa, o que realizava com sucesso oscilante na temporada anterior, e melhorar seu condicionamento físico, sendo projetado como starter ao lado de Brook Lopez. Hoje, o jogador se encontra como reserva, mesmo com a lesão do atual titular, Larry Nance Jr., o que não seria problemático, não fosse a sua utilização. Passando quartos inteiros sem entrar em jogos e raramente compartilhando a quadra com Brook Lopez, com o qual supostamente teria mais espaço para operar no garrafão e a quem ajudaria com os rebotes, Randle tem forçado seu espaço no time sendo fundamental em algumas reações, como a contra o Boston Celtics, e até mesmo vitórias, como a recente sobre o Washington Wizards. Contudo, não raro jogadores como Bogut e Brewer ganham oportunidades antes mesmo dele.

 

Repare na progressão ano a ano, seja técnica, física ou de mentalidade e como o Lakers responde a esse tipo de trabalho. A conclusão que se chega é que nada importou, ao menos não para o Lakers. Outros times estão observando e quem sabe tentem adquirir o jogador como FA restrito na próxima offseason, mas o Lakers, o que o tem embaixo das asas nesse momento, parece não se importar.

O fato do jogador ter iniciado a temporada como um dos melhores jogadores da equipe, ao lado do calouro Kuzma e de Brandon Ingram, mesmo tendo seus minutos e importância severamente diminuídos em relação a temporada passada, quando confrontado com o relato de Woj apenas corroboram o quão dissonante é o discurso com a prática da atual diretoria. Ao assumir o atual cargo, Magic Johnson pregou que trabalharia um núcleo jovem e procuraria se movimentar na free agency, esquecendo de pontuar que seria seu núcleo jovem e que para se movimentar na FA, nada estaria fora de cogitação.

 

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Per36 de Randle na temporada o coloca com essas stats…

 

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…comparáveis apenas a Embiid e Cousins na atual temporada…

 

 

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…e similares a seus números como starter (mais minutos jogados, contra melhores oponentes) na temporada passada

 

Pelo que se desenha, não importa o que esses números demonstrem, não importa o comprometimento demonstrado, a mudança de atitude dentro e fora de quadra (um dos meus símbolos favoritos da atitude de Randle são dois blocks muito similares que ele aplicou em Harden da estreia da temporada passada e em Wall essa temporada, os pegando na troca no perímetro e encontrando no aro). O plano midiático supremo não suporta, não abre espaço para o que acontece em frente dos nossos olhos, mas apenas vive encostado em um futuro incerto.

Para a infelicidade de muitos, é impossível não traçar o paralelo com D’Angelo Russell e Randle ainda irá se beneficiar desse comparativo. Assim como Randle, Russell progrediu em seus dois anos como Laker, mas jamais seria capaz de satisfazer as expectativas insanas de sua torcida, ainda que em uma análise mais distante, sem envolvimento de paixões ou da sombra de Kobe, que também não foi um segundo anista brilhante, ele estava perfeitamente a caminho.

 

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Ao acusar Russell de não ser um PG pass first (seja lá o que isso signifique),fica bem claro que ele não conhecia o jogador que tinha – Maior AST% de qualquer guard da idade, 7a maior dos últimos 10 anos entre guards com 20 anos ou menos
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Tabela anexada pelo mesmo Reed acima neste tweet (https://twitter.com/Reed_nba/status/849460579345543168), demonstrando como Russell se comparava com jogadores de mesma experiência e/ou idade

 

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E quando Russell começou bem pelo Nets, Reed ironizou Magic usando a própria tabela que havia postado antes. Quem diria que Russell era capaz disso, hein?

Russell, contudo, contou com debates fora de quadra que contribuíram para que a parcela da torcida que nunca o viu com bons olhos rapidamente o esquecesse e seguisse em frente, nominalmente a já batida história de Nick Young. Se Russell pegou a pecha de que jamais poderia liderar um time ou de que jogadores não iriam querer jogar com ele, palavras do próprio Magic Johnson, Randle não tem nenhum desses fatores externos contra ele. Desde que foi draftado pelo Lakers, Randle sofreu o mencionado acidente na estreia, virou pai, transformou completamente o corpo sem compromisso nenhum a longo prazo com a franquia, como esperado de um jogador jovem ainda buscando seu espaço na liga.

Em comum entre eles, reside o fato de que ainda que tenham apresentado crescimento enquanto jogadores do Lakers, não só estatístico (o menos relevante deles), mas também técnico e físico, eles são vistos como descartáveis, até mesmo pela própria torcida, em troca de um sonho midiático que nem mesmo na sua forma mais bem-sucedida garantirá sucesso a longo prazo.

Reunir um grupo de jovens talentosos e ver do que eles são capazes juntos é o que a NBA atual quase que impõe como a forma mais sustentável de sucesso a longo prazo, em face de seu complexo sistema salarial e da tendência de jogadores não mais privilegiarem mercados e sim situações de basquete. Núcleos como os de Sixers, Wolves, Bucks, Nuggets, Celtics e Kings tentarão, através desse modelo, serem relevantes agora e na próxima década, alguns até já colhendo alguns resultados. Porém o Lakers, como franquia e como conjunto de seus torcedores, ignora rapidamente essa noção quando envolve o seu time, exigindo o aqui e agora, o quanto antes, não importa o quê, ainda que também admirem os núcleos anteriormente mencionados, o que demonstra uma contradição curiosa e que merece seu texto próprio, se a oportunidade aparecer.

 

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É, parece que não sou só eu que não gosta do plano de jogar moleques bons fora para assinar um LBJ aos 34 anos.

 

Uma das respostas mais comuns ao argumento de que Magic Johson e a atual diretoria estão desvalorizando alguns jovens da equipe costuma ser a de que ainda se encontra um núcleo jovem no Lakers, mesmo com o que já ocorreu e o que está prestes a ocorrer. Ainda assim, é impossível não imaginar o que poderia ter ocorrido se todos tivessem a chance de partilhar a mesma linha de tempo no mesmo time. Levaria tempo e frustrações pontuais continuariam a ocorrer, como ocorrem com todos os times jovens, mesmos os que andam apresentando sucesso (precisamos de melhores exemplos do que Towns, um dos unicórnios da geração, ainda ser um péssimo defensor, e Joel Embiid, talvez o jogador mais dominante da próxima década, mas que vive no limite entre a grandeza e um fim de carreira precoce?), mas não há muito como fugir da conjuntura da NBA. Não se vira um contender indiscutível em um ano (exceto se o melhor jogador da última década nasceu há alguns quilômetros do ginásio do seu time) e mesmo os que aparentemente conseguiram isso, passaram anos, no plural, construindo uma base e realizando movimentos que os permitiram chegar nesse status (ver: Boston Celtics pós-KG/Pierce). E como já mencionado no nosso longínquo último texto: qual a pressa? Como todos os mencionados núcleos, nosso auge encontraria o declínio ou descendente do atual Warriors e de LeBron James, onde quer que ele vá parar em um futuro próximo.

E aqui o exemplo de Julius Randle, que é uma parte, encontra o todo. Se a situação salarial não favorece sua manutenção, é porque a situação salarial virou o foco, não o desenvolvimento do talento. Se se livrar de Mozgov virou a melhor justificativa para não mais ter D’Angelo Russell na equipe, é por razões além do que realmente importa, que é o basquete apresentado. Os comportamentos recentes da franquia têm gerado precedentes perigosos e que podem vir para assombrar o time nos próximos anos, caso o tal plano não seja bem-sucedido. Não custa lembrar que Russell foi o preço para se livrar de Mozgov e Deng sair do time até julho de 2018 é o caminho mais viável para que o plano possa sequer ter chance de ser executado. Alguém mais poderá ser descartado e possamos estar aqui lamentando outro potencial saindo pela porta de trás.

 

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Uma tradução é mais justa do que usar as próprias palavras: “eles estão com uma estratégia de alto risco e alta recompensa, mas lidando como se fosse de baixo risco, sacrificando o que pode os salvar no caso de não dar certo”

A afirmação mais certa que se pode fazer no momento é que a FA de 2018 testará a resiliência de muitos discursos mundo afora. Como a franquia, a torcida e o resto da liga responderá a um insucesso em 2018? Seria o sucesso o bastante para justificar o que pode ocorrer nos próximos meses e suas consequências no longo prazo? Seria você, que está lendo isso, alguém que considera o futuro quando decide abraçar ou não as decisões que seu time realiza? A mesma torcida que supostamente não aguentava mais esperar vai se conformar com esperar por 2019 se tudo der errado?

Pergunte a si mesmo de que lado do Master Plan você está.

 

PS: Esta é a posição oficial deste site quanto a D’Angelo Russell e sua troca, tema polêmico no Twitter.

Não importa o que se ache de Russell como pessoa, era inegável que como jogador, o que realmente importa aqui, descartá-lo em uma salary dump é e sempre será um movimento ruim. Nem sequer tratarei do papo de personalidade ou das fofocas a respeito, visto que já nos posicionamos quanto a irrelevância destas.

Em um raciocínio simples, leia a seguinte proposição: “que tal trocarmos nosso melhor jogador jovem da última temporada por nada? OK? OK”. Isso foi basicamente o que ocorreu na última offseason e se houvesse ocorrido com qualquer outro time seria motivo de piada. Lembram do Knicks quase trocando o Porzingis? Que idiotas, não? Percebam que não há comparação entre os jogadores, mas abstratamente as situações são as mesmas.

Quanto a relação entre ele e Lonzo Ball, a frustração é maior ainda porque ambos poderiam ser ótimos juntos, uma vez que um é exatamente o tipo de jogador que o outro precisa. E se Lonzo é o tal líder, Messias, aquele que abre mares e céus (como a diretoria estupidamente o clama, jogando pressão desnecessária para o jogador), não teria ele o poder de reformar o “rebelde” Russell e o liderar ao caminho das vitórias? O discurso pró-Ball não pode ser usado apenas quando é conveniente.

Por fim, o uso do termo “pró-Ball” não sugere que deveria ser um ou outro, como mencionamos anteriormente. Não tem porque existir antagonismo entre ambos, comparações, até porque ambos entraram na liga e no Lakers em situações completamente distintas. Um era enfeite do circo Kobe Bryant, o outro é a joia da coroa do rei Magic Johnson. É injusto com ambos.

 

Trilha sonora para definir o clima

 

 

Paul George, Lakers e cautela

Vocês já tentaram acertar uma mosca com um grão de feijão a 100 metros de distância?
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Sofremos pra escrever sobre Paul George e Lakers como o Clarkson está sofrendo aqui
Pois esse é o sentimento da nossa equipe ao tentar escrever a peça definitiva da relação entre Lakers e Paul George. Sabemos o quão estúpido é esse esforço, considerando a constante atualização de informações sobre tudo hoje em dia, mas achamos que o assunto é delicado demais para ser tratado como só mais um texto, só mais uma opinião, só mais um link a se clicar.
Tomamos essa linha porque entendemos que essa discussão vai muito além de querermos ou não o jogador em nosso time, uma vez que envolve o que consideramos como formas corretas de se construir um time, avaliamos quais seriam as vantagens e desvantagens de decidir por modo A ou B, enfim, verdadeiras linhas filosóficas para se debater algo tão sem importância no grande esquema das coisas.
 
Isto posto, o último report significativo vem do mesmo Sam Amick, que meses atrás, baseado em sua posição de NBA Insider, afirmou que PG estava entre um Indiana contender e o Lakers na sua FA em 2018. Segundo o novo report de Amick, a ausência de PG nos times All-NBA, que forneceria ao Indiana a possibilidade de ofertá-lo o supermax de 210M/5anos, na verdade não faz tanta diferença para PG. O insider afirma que PG não assinaria de pronto a extensão se tivesse alcançado a honra de All-NBA, optando pela cautela em observar como o Pacers agiria na offseason que se aproxima.
 
Contando com uma fonte anônima e próxima a PG, Amick reforçou o discurso de que George vê com bons olhos a possibilidade de assumir o posto deixado por Kobe Bryant. Colocou ainda que o Lakers pode se encontrar na dúvida entre obtê-lo agora, para se prevenir de uma troca para outro lugar antes, ou aguardá-lo em 2018, mas que seria recomendável a cautela, para fugir da situação Melo-Knicks.
 
Na peça que soltaríamos anteriormente mencionada, destacaríamos a boa situação que o Lakers se encontra agora. Ou desenvolvemos um núcleo jovem para os próximos anos, tendo a chance de encaixar alguém como PG sem nos livrar de assets ou o próprio núcleo jovem vira protagonista de sua própria história. Não há cenário ruim para onde se olhe, embora alguns opinem do contrário, geralmente motivados por uma pressa injustificada, ainda mais em um mundo habitado por Golden State e Cleveland pelo restante da década.
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Não é ser otimista demais. Apenas não há razão suficiente para apostar tudo em algo que praticamente não satisfará as altas expectativas da torcida e depois gerar arrependimento. Se PG ficasse disponível em razão do desespero de Indy, a tal ponto que a oferta não envolvesse a maioria de nossos melhores assets, também seríamos favoráveis a uma troca. Porém, conscientes da quantidade de reports favoráveis a uma assinatura como free agent em um futuro próximo, vale mesmo a pena? Seria mesmo de se lamentar se ele fosse trocado pra outro local e lá ficasse, sabendo que manteríamos toda a base construída? Certamente seria chato perdemos a chance de alguém desse nível, mas cautela parece ser o modus operandi recomendado, não só por nós, aparentemente.
 
Resta saber qual o posicionamento da diretoria a respeito. Os sinais iniciais indicam que estão tomando a tal da cautela, com Magic dizendo que não seremos relevantes no mercado de FAs em 2017, para focar em 2018 (decisão correta em nossa opinião) e Pelinka dizendo que provavelmente não trocaremos a pick, salvo um negócio irrecusável.
 
Partilhamos do discurso, mas como nós, torcida e diretoria, reagiremos a essa enxurrada de informações? A conferir. Enquanto isso, fiquem com o gif do Magic Johnson comemorando a manutenção da pick.
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*Como dito no próprio texto, muitos ângulos ainda podem ser tratados na questão PG-Lakers. Como seria viável, a que preço, por que fazer, e se ele for trocado para outro lugar antes, por ai vai. Sentimos a necessidade de postar esse texto hoje, mas nada impede que voltemos a tratar o assunto, já que ele não vai embora tão cedo.

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Sucessão no topo

Quando Magic Johnson foi anunciado como conselheiro da franquia há algumas semanas, suas funções na franquia não ficaram precisamente delimitadas, o que tornava difícil para nós avaliar ou sequer projetar qual seria o real impacto da notícia. Sucedendo a sua união a franquia, Magic realizou um verdadeiro tour pelos veículos da mídia americana, inicialmente com o discurso de que contribuiria com sua experiência como homem de negócios e trabalharia ao lado de Jim Buss e Mitch Kupchak, intenções essas que vacilaram a cada entrevista, indo desde esse pensamento até mesmo a afirmação de queria trabalhar como presidente das operações de basquete.

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Ontem à tarde, tal profecia se concretizou. Em nota divulgada pela franquia e posterior entrevista coletiva, Jeanie Buss, irmã de Jim Buss e co-proprietária do Los Angeles Lakers, não só anunciou que Johnson assumiria tal posto como removeria seu irmão Jim e Kupchak imediatamente de seus cargos como vice-presidente das operações de basquete e general manager, respectivamente.

Não podemos afirmar necessariamente que tenha sido uma surpresa, desde a chegada de Magic uma alteração desse porte era esperada, embora seu discurso tenha baixado a guarda de quem acompanha a franquia com mais proximidade. Contudo, algumas horas após o anúncio, podemos extrair duas conclusões: a forma abrupta com que o Lakers tratou do assunto deixou muito a desejar e já podemos ter alguma visão a respeito de como a franquia será gerida em um futuro próximo.

Em primeiro lugar, trataremos da forma negativa com que a franquia tratou a mudança, suas possíveis razões e seus impactos.

  • Especula-se que o fato do Lakers não ter investido mais fortemente em DeMarcus Cousins tenha sido a gota d’água para que Jeanie interferisse, na figura de Magic. Embora seja compreensível que os torcedores queiram uma estrela o mais breve possível, Kupchak ao menos mostrou alguma coerência entre seu discurso nos últimos meses e também não foi passivo ao aproximar o Kings com uma oferta, que gerou contra-oferta por ele julgada como além do razoável. Mitch poderia realizar o move, ter ganhado um respiro, ser demitido e deixar a responsabilidade pelo futuro com a gerência futura.
  • Baxter Holmes, um dos beat writers da ESPN focado em Los Angeles, divulgou que Magic nem sequer chegou a ter uma reunião com Kupchak e Buss. Por que isso é bizarro? As partes haviam combinado tal reunião para a última segunda-feira, cancelada em razão das agendas das partes. Mais um indício de que a teoria quanto ao resultado das negociações de Cousins possa ter sido fator, mesmo que a própria teoria seja fraca.
  • Em decisão conjunta do núcleo que agora comanda a franquia (Jeanie-Magic), John Black, responsável pelas relações públicas da franquia, também foi liberado de suas funções. Embora pareça algo insignificante, as horas seguidas a decisão provaram a sua importância e o porquê da alteração significar um sinal de fraqueza. Magic afirmou que não vazaria algo a imprensa, mas nas conversas seguintes com a imprensa estava entregando suas conversas a respeito de Lou Williams e suas opiniões quanto ao presente núcleo, enquanto reafirmava seu desejo de mantê-lo, para logo depois louvar todas as qualidades individualmente. Esse tipo de instabilidade no discurso, presente desde seu anúncio como conselheiro, e abertura ao pensamento íntimo da franquia nunca foram marca da franquia. Nesse caso em específico, não é um exagero colocar que líderes de outros times abriram os olhos para o valor enxergado pela própria franquia quanto a suas peças.

  • A proximidade da mudança no comando da franquia com a trade deadline coloca certa instabilidade nas próximas horas. A trade de Lou Williams era iminente, independente da liderança, mas a contratação de um GM em horas (Rob Pelinka, trataremos em breve) indica que a tomada de poder era planejada há algum tempo, visto que tal GM deveria se livrar de suas outras ocupações antes de ser anunciado no cargo. O que queremos dizer é que, independente de pensar que a mudança é bem vinda ou não, o timing certamente é confuso. A substituição poderia ter se dado já na última offseason ou após a atual temporada. Ocorrendo nesse momento, está tudo no ar até o fim da deadline, embora fosse chocante se algo de maior magnitude ocorresse.

Sobre as pistas que as últimas horas tem dado quanto ao gerenciamento da franquia em um futuro próximo:

  • Rob Pelinka, agente de Kobe Bryant e de diversos outros jogadores, foi anunciado em questão de horas como o novo GM da franquia, a assumir o cargo em alguns dias. Embora tenha tido contato com negociações contratuais anteriormente, o cargo de GM é muito mais complexo do que isso, embora não se possa descartar o know-how e credibilidade de Pelinka com jogadores e diversos agentes.

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    Pelinka (casaco verde) na assinatura do último contrato de Kobe
  • O que pode facilitar a transição de Pelinka é a presença de Ryan West e Jessie Buss na franquia há alguns anos. Os familiares de Jerry West e Jeanie Buss tem exercido funções de scouting e trabalho com os jogadores do elenco há anos na franquia, podendo, eventualmente, serem promovidos à função de assistentes do GM. Ambos estiveram com Luke Walton e Magic Johnson no processo decisório da noite de terça-feira quanto a trade de Lou Williams, com Johnson dando a palavra final.
  • Como de conhecimento geral, Magic se reportará exclusivamente a Jeanie Buss. Jim se manterá apenas na posição de owner, com interferência mínima ou nula nas decisões de basquete, que agora cabem a Johnson e quem mais ele decidir integrar, ou financeiras, desde anteriormente cabíveis a Jeanie Buss.
  • A parte mais importante no futuro é observar quem Magic trará e qual grau de poder ele conferirá para as pessoas que estarão no comando da franquia. Não podemos simplesmente confiar em Magic por ser um ídolo, como parece ser a reação natural. Seu período como jogador, por mais bem sucedido que tenha sido, não lhe confere propriedade ao tratar de assuntos de basquete, em que o próprio disse dias atrás ainda estar tentando reunir conhecimento sobre a nova CBA e coisas desse porte. Como bem disse Chris Mannix, não será um caminho fácil para Johnson por que ele é Magic Johnson e ele deve ser capaz de reconhecer isso. Jeanie Buss, ao realizar tamanha alteração na franquia, agora atrairá para si e Magic toda a responsabilidade quanto aos rumos da franquia. Esperamos que para o bem e saberemos medir tal progresso com o passar das próximas definições.

Entendemos que a mudança era esperada e até com ansiedade por alguma parcela da torcida, de forma compreensível. O Lakers poderia ter lidado melhor com a transição, escolhendo forma e momento mais adequado para tal, mas agora ela já se concretizou. As próximas horas podem ser ainda mais agitadas do que aguardávamos, marcando o início de uma nova era para o Los Angeles Lakers, que esperamos seja bem sucedida.

Por fim, agradecemos os serviços prestados por Kupchak em seus 30 anos dedicados a franquia e desejamos o melhor para seu futuro.

A trade de Lou Williams

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Como noticiamos em nossa página do Facebook, o Lakers concretizou uma troca que enviou Lou Williams para o Houston Rockets, recebendo Corey Brewer e a escolha da equipe texana de 1ª rodada no draft de 2017.

Após o anúncio, reports parecem indicar que essa foi a melhor proposta, por combinar um salário praticamente idêntico ao de Lou Williams – Lou receberá 7M na próxima temporada, Brewer 7.6M – e uma pick de 1ª rodada, ativo que os times valorizam muito hoje em dia. O Rockets, na sua atual posição de contender, não necessitava da pick, tanto que a enviou sem proteções, o que garante a posse da pick pelo Lakers. Segundo os reports, outras ofertas poderiam vir com picks melhores, mas salários maiores/que consomem mais anos, ou salários menores com picks protegidas em algum nível.

Avaliar a trade pelo jogador recebido é um erro. O valor da negociação reside no asset recebido, a pick, que pode ser utilizada tanto no draft como em um outro move secundário, como se livrar de um contrato ruim, como Mozgov ou Deng. Vejamos as movimentações até a deadline ou mesmo na offseason.

Lakers se envolve em negociações, mas Cousins vai para Nova Orleans

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Quando a ponte aérea de Kevin Durant para Russell Westbrook e o prêmio de MVP do All Star Game para Anthony Davis pareciam ser as histórias que dominariam a noite de domingo, eis que surge o Sacramento Kings, anunciando que não só estaria disposto a negociar DeMarcus Cousins, como não estaria exatamente pedindo um preço alto.

Os suspeitos de sempre eram aguardados. Celtics, Nuggets, Suns lideravam o imaginário por terem a combinação do que o Kings parecia exigir, especialmente Boston, ligados ao jogador a muito tempo e do qual se espera um movimento dessa magnitude a muito tempo. O Pelicans ofertava Buddy Hield e duas escolhas de draft, oferta quase que imediatamente negada. O Lakers foi mencionado entre os times que concorriam pelo jogador, mas o negócio não foi adiante, trataremos disso com detalhes em breve.

Sabemos como tudo terminou. Cousins foi enviado, junto com Omri Casspi, para o New Orleans Pelicans, em troca de Buddy Hield, Langston Galloway, Tyreke Evans, uma escolha protegida no top 3 de 1ª rodada e outra de 2ª, ambas de 2017. Podemos resumir que a troca foi excelente para o Pelicans, que trocou peças completamente dispensáveis por um ano e meio de Boogie Cousins, tipo de talento que jamais obteria na free agency, e sem a “necessidade” de ter que o pagar com o super max (Cousins poderia receber cerca de 200M se estendesse seu contrato para a próxima temporada e as cinco posteriores, previsão reservada apenas ao Kings, enquanto no Pelicans só poderá receber o max comum, bem inferior), podendo trabalhar para uma renovação ao fim de seu contrato; enquanto isso o Kings se vê com picks de baixo valor, Galloway como possível free agent ao fim da temporada, um Tyreke Evans apenas para completar salário e prestes a ser dispensado e Buddy Hield, calouro inconsistente e de idade avançada para a experiência na liga, sendo ele o melhor valor imediato do negócio.

Certo, mas e o Lakers? Qual o envolvimento da franquia com a história?

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Quando os reports chegaram de que o Lakers estava envolvido nas negociações, era fácil perceber novamente o caráter exploratório das conversas. Mesmo com o Kings tendo o discurso de não exigir muito pela troca, era impossível saber que se contentariam com o que acabaram recebendo (as informações constam que receber Hield no negócio foi determinante para o Kings), logo, era normal que o Kings exigiria muito do Lakers em um eventual negócio.

Esse pode ter sido o fator que afastou os times anteriormente citados, como Suns, Celtics e Nuggets. Um dos motivos para que o Celtics não tenha obtido sucesso até hoje em uma grande troca é que os times detentores das estrelas percebem a fartura de assets e exigem muito além do normal. No caso de Boston, os times miram as picks do Nets, no caso do Lakers, e o que acabou sendo determinante, Brandon Ingram. Some isso a ausência de garantia de renovação por parte de Cousins e o “desespero” do Kings em trocá-lo, terminamos com o tipo de trade que acabou por acontecer.

Pelas notícias, o Kings pediu Ingram como parte do negócio, o que fez o Lakers recuar. Não foi divulgado o que constituiria o resto da proposta, mas o fato de ambos os times definirem valor tão alto ao jogador nos informa tanto a consistência do Lakers em confiar no seu núcleo jovem como a provável inclusão de outros jovens no resto da proposta. Com o pedido por Ingram, o Lakers pode ter avaliado que estaria dando demais, o Kings que estaria recebendo de menos e decidiram por encerrar as conversas.

Sabemos que é difícil visualizar a oportunidade de adquirir Cousins e não aproveitá-la como um insucesso, mas é seguro dizer que não é o caso. Pelos reports, as exigências teriam sido demasiadamente onerosas ao Lakers e ainda sim conviveríamos com uma possível saída do jogador, situação similar a que vivemos com Dwight Howard. O atraso no rebuild seria imenso se esse fosse mesmo o desfecho e consideramos inteligente da parte da diretoria que esse não tenha sido o plano de curso, dadas as condições peculiares do jogador e do time. Independente da avaliação que se tenha dos jovens jogadores em si do Lakers atualmente (avaliações essas, em sua maioria, injustas), arriscar toda a coleção de assets em um ano e meio seria temerário.

Em uma visão macro, Jim Buss e Kupchak poderiam ter realizado o negócio como forma de tentar justificar suas presenças na front office, posições ameaçadas com a chegada de Magic Johnson como conselheiro. Ao menos restou observada alguma responsabilidade com o futuro da franquia, ao mesmo tempo em que exploram todas as oportunidades na incessante tarefa de tocar o rebuild.

Boa sorte, Boogie. E que Deus abençoe a torcida do Kings.

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Sobre a trade deadline e rumores

Com a proximidade da trade deadline do dia 23 de fevereiro, diversos reports começam a pipocar sobre as movimentações e conversas de diversos times. O Lakers parecia ser uma exceção esse ano, quando Kupchak disse, no início do ano, ser improvável que o time se movimente até a deadline. Contudo, reports parecem indicar uma mudança de pensamento, seja pelo real valor que algumas peças do elenco possuem e possam estar gerando interesse, seja pelas mudanças que a franquia tem começado a sofrer com o anúncio de Magic Johnson como conselheiro do time (apenas noticiamos a info e esperamos tratá-la quando a função de Magic estiver melhor delineada). Logo, resolvemos tratar de algumas das opções do time até a deadline e suas probabilidades e de alguns outros rumores recentes, sólidos ou não.

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“Go ahead, make my day”

Antes de tratarmos da deadline e dos rumores, queremos antes atentar para um comportamento comum nessa época de negociações, que infelizmente é mais grave com o Lakers do que com alguns outros times: a facilidade em movimentar um rumor com a mera menção do time (melhor tratado na seção de rumores), especialmente sendo sensacionalista quanto a algumas colocações. Por exemplo: como bem colocou essa matéria do Lakers Outsiders (ótimo site, recomendamos), ao ler um rumor, devemos ler com atenção. O site coloca que provavelmente, entre aspas, o time se movimentará na trade deadline porque o próprio jornalista, John Ireland, que noticia a probabilidade, não tem tanta certeza. Essa mensagem não chega a quem cria manchetes, já que unem esse report extremamente cauteloso à situação do time e assumem que haverá algum move. A lição como sempre: muito cuidado com os rumores.

TRADE DEADLINE

Lou Williams – SG/PG – Contrato restante: 14M/2anos, 7M em 2016-17, 7M em 2017-18

NBA: Phoenix Suns at Los Angeles Lakers

De longe o melhor asset entre os veteranos e melhor jogador em números e algumas atuações da equipe, Lou é o mais especulado para ser movido até a deadline. Seu custo/benefício o coloca na mira de diversos times com aspiração de playoffs ou que pretendam avançar nestes, embora nenhum rumor de conversa tenha surgido até o momento, muito em razão da abordagem discreta da equipe até então. Menciona-se que mover Lou poderia ter implicações no vestiário, já que os jogadores jovens do Lakers muito o respeitam, mas parece ser uma faceta superestimada da análise. Não cabe avaliar a sempre chata menção ao tanking, embora seja natural pensar por esse viés, mesmo com Walton afirmando que qualquer movimento na deadline não altera o pensamento de entrar nos jogos para competir e, quem sabe, vencer.

Sua eventual saída liberaria minutos no backcourt, provavelmente em benefício de Jordan Clarkson, que poderia assumir o controle total das ações do bench, de forma similar a sua rookie season, enquanto D’Angelo comandaria os titulares e ambos se encontrariam em certos momentos, jogando juntos no chamado staggering (quando dois jogadores são separados para manter um bom nível de lineups e eventualmente se encontram).

Como nos cabe apenas especular e fomos muito perguntados a respeito no Twitter, temos um cenário que parece o mais vantajoso para todos os envolvidos: o Wizards controla todas as suas picks de 1ª rodada até 2024 e tem um dos piores bancos da liga, especialmente na posição de Lou. Uma pick de 1a rodada do próximo draft ou de 2018 por Williams é algo como um sonho, mas pode ser plausível para o time de Washington, que deve terminar nas primeiras posições da conferência e tem nível para pensar em chegar na final de conferência. Uma pick a partir da 20a escolha seria um preço razoável por uma contribuição boa e barata. Não descartamos também duas picks de segunda rodada por qualquer outra equipe, mas queríamos destacar o melhor cenário possível.

Nick Young -SG/SF – Contrato: 11M/2anos, 5.4M em 2016-17, Player option para 2017-18 de 5.6M

NBA: Dallas Mavericks at Los Angeles Lakers

Apesar da boa produção ofensiva gerada a partir de uma habilidade valorizada (arremesso de 3 pontos, geralmente criado por si mesmo) e até decente habilidade defensiva, Nick parece afastar o mercado em razão de sua player option para o ano que vem e também pela desconfiança de muitos times de que ele possa reproduzir sua performance em outro esquema tático, com outros jogadores e até por estar em outra cidade. Young parece ter o desejo de continuar em Los Angeles, o que, a primeira vista, poderia indicar que ele retornaria apenas pelo preço da player option, mas o jogador estaria perdendo dinheiro com essa opção. Isso tudo para dizer que, ainda que negociado, o que se conseguiria por Young não seria tanto, mas ainda sim talvez negociá-lo seja a melhor opção, mesmo que por escolhas de segunda rodada. Se a franquia não conseguir, talvez não caiba culpá-la pela passividade, vide a já apresentada dificuldade.

Tarik Black – C/PF – Contrato: 12.7M/2anos, 6.1M em 2016-17, 6.6M não garantidos em 2017-18

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BOOM BOOM

A justificativa para esse move seria basicamente por questão de flexibilidade no cap para a próxima free agency. Como os dois anteriores, Black tem jogado muito bem sob o comando de Luke Walton, mas se diferencia por poder facilmente fazer parte dos planos da franquia olhando pra frente, como um bom backup, pois ainda é jovem. Contudo, sua manutenção para a próxima temporada afetaria a flexibilidade da equipe em busca de FAs e para a renovação dos jovens (Julius Randle se torna elegível para uma extensão ao fim da temporada), mesmo que os dois jogadores anteriores fossem negociados e o Lakers pode se encontrar em uma posição difícil tendo que escolher entre manter ou não um jogador de que gostam. Outros times podem querê-lo em razão das atuações que tem tido pelo Lakers e pela flexibilidade que geraria ao não exercer a parte não garantida do contrato, mas definitivamente será a decisão mais difícil a se tomar, tanto na deadline como na offseason.

Deng, Mozgov e jovens

Altamente improváveis de serem tocados, seja pela desvalorização e preço dos veteranos como pelo valor que se atribui aos jovens. Como Kupchak já disse, o núcleo jovem só será tocado em face de uma proposta absolutamente impossível de se negar e tal proposta simplesmente não está disponível, muito menos agora com a nova CBA, que oferece muito mais vantagens a jogadores que fiquem nos times pelos quais foram draftados. Ainda sim, mesmo que um desses jogadores se torne disponível via troca, a incerteza sobre a manutenção ou não da pick do draft desse ano torna difícil planejar algo dessa magnitude.

RUMORES

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Rumores tortos como o mindinho de Kupchak

Jahlil Okafor – O mais simples de se tratar. Jahlil tem sido mencionado em conversas de trocas entre o Sixers e diversos times. Quer que ganhe uma magnitude maior? Mencione o Lakers entre tais times e aguarde a chuva de retweets e compartilhamentos. Agora que há informações de que Okafor não está na mira do Lakers, tudo fica como se nada houvesse ocorrido, mas é muito chato lidar com as infinitas especulações a respeito de um jogador que não faria sentido com o atual núcleo do Lakers e pelo qual o Lakers nada poderia oferecer em troca do valor que o Sixers acha que o jogador tem ou o que o jogador realmente tem.

Larry Sanders – Rumor mais recente, Sanders conversou com a front office do Lakers essa semana, o que foi o bastante para diversas outras especulações. Não se engane: por mais que seja interessante pensar no retorno do jogador a NBA com a camisa do Lakers, tudo indica que é apenas a front office fazendo o seu trabalho em levantar todas as possibilidades. Com a cada vez maior restrição a movimento de grandes jogadores via FA e a escassez em assets fora do núcleo jovem, toda forma de melhora deve ser explorada, exigindo cada vez mais criatividade, portanto abrir as portas ao jogador e checá-lo é e sempre será uma boa ideia, independente do que venha a sair disso. Já destacamos o aspecto político de atitutes como essa quando tratamos da trade por Jose Calderón e esse é mais um exemplo.

Anthony Davis e Russell Westbrook – Mencione o Lakers e seja famoso. Não é um descrédito a quem apurou e noticiou o suposto desejo dos jogadores em se reunirem no Los Angeles Lakers no futuro, mas há de se suspeitar o porquê de se levantar isso agora. Tudo partiu de um artigo detalhando a situação precária de AD em New Orleans, esse era o seu foco, mas a gana pelos cliques foi tamanha que um parágrafo inútil para o texto foi inserido e nele constava que Davis e Westbrook podem se reunir em Los Angeles, muito em razão de terem o mesmo agente. Bastou apenas isso para que a internet que comenta a NBA perder a cabeça, montagens se espalharem, toda a histeria que conhecemos.

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Olha só que bonitinho esse imã de likes

Deixemos de zombar por um minuto da estupidez do rumor para ver os fracos pilares sobre os quais eles se baseiam: ambos os jogadores podem se encontrar em situações ruins em breve, AD pode forçar uma troca, Westbrook sair ao fim da próxima temporada, o Lakers pode manter as suas picks de 2017 e 2019… e só, além da baboseira quanto ao agente. Quem acompanha o time sabe das impossibilidades em trocar os veteranos atualmente presentes e das futuras extensões das peças jovens, fatores que devem remover a flexibilidade da equipe em alguns anos. Quem acompanha a liga, sabe do gigantesco contrato assinado por AD há poucos anos e da compreensível relutância do Pelicans em sequer cogitar uma troca pelo jogador. Por que então esses rumores ganham vida? Simples, atenção. Usam o nome da franquia para promover peças, artigos, gerar discussões, sinceramente, inúteis.

Ignorem esse papo por enquanto e revisitem quando esses eventos estiverem mais próximos, mas lembrem que não foi a primeira vez que lemos algo no sentido “grandes nomes supostamente se unirão no Lakers em breve”, vários torcedores se animam e não enxergam sentido no presente pensando nesse futuro colorido. Cautela com as expectativas e conhecimento de causa ajudam a evitar frustrações.

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Além do placar: Lakers vence o Nuggets antes da Grammy Trip

Vitórias a essa altura da temporada provocam certa confusão. Vencer é e sempre será bom, mas com a já ínfima chance de playoffs se esvaindo e a importância de manter a escolha de draft em 2017 (se a mantivermos, também mantemos a de 2019, enquanto a de 2018 se transfere ao Sixers; se a perdemos, 2019 se vai e mantemos apenas 2018 em um espaço de 3 anos, escolha essa que não poderá ser envolvida em trocas), é compreensível que haja sentimentos conflitantes na torcida quanto a boa vitória de ontem contra o Denver Nuggets, por 120-116.

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Mesmo com o Nuggets desfalcado de Mudiay, Jokic e Barton, ainda sofremos com os rebotes de Faried e a profundidade do elenco do Nuggets, que se permitiu, mesmo com os desfalques, trazer Wilson Chandler e Jamal Murray do banco. A execução ofensiva foi a principal responsável pela vitória, especialmente na segunda metade da partida, quando ela foi mais constante do que na primeira, decaindo quando D’Angelo esteve ausente. Defensivamente, os mesmos rebotes anteriormente citados e a precisão do Nuggets em criar arremessos de 3 pontos e convertê-los machucou o Lakers, mas o mesmo não pode se dizer das tentativas de infiltração, faceta da defesa em que o Lakers melhor reagiu.

Dito isto, podemos classificar como boa a vitória porque veio com o que mais importa, que é uma boa atuação. Quando tratamos da variação das nossas expectativas na temporada, usamos os termos “boas derrotas”, que deveriam ser tão valorizadas quanto qualquer vitória, em razão do bom nível apresentado pela equipe. Ontem foi o caso de boa vitória, tanto pelo resultado em si, como pelo ótimo nível apresentado. Também não podemos esquecer que atingimos o mesmo número de vitórias da temporada passada (17), em apenas 51 jogos e com um nível de basquete muito superior.

D’Angelo Russell retornou de lesão e não só quase emplacou um triple-double (25p, 10asts, 7rebs), como comandou a primeira unidade muito bem, fechou o jogo e demonstrou uma química imensa com Nick Young e o princípio de uma boa relação com Zubac, responsável por ótimas screens e cestas nos minutos finais. O pivô tem sido destaque nas últimas partidas, recebendo todo tipo de elogio dos companheiros, Luke Walton e até de diversos analistas, que só agora estão conhecendo Zublocka, muito em razão de seu posicionamento no ataque como na defesa (recomendamos o vídeo do @LakerFilmRoom e a parte do Lakers no podcast Dunc’d On Basketball, a partir do minuto 33:35).

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Deixaremos os melhores momentos ao fim do texto, inclusive com uma senhora enterrada de Brandon Ingram, mas o mais importante reside na coletiva de ontem com Luke Walton no pós-jogo e em uma declaração que o próprio deu após a vitória contra o Indiana Pacers.

No vídeo acima, Luke analisa a atuação de Russell pelos seus dois turnovers: segundo o técnico, o jogador foi agressivo o jogo inteiro, o que gerou seus arremessos e assistências, mas mesmo seus turnovers vieram em passes que deveriam ter se tornado cestas, como um em que Black saiu no roll e não viu o passe, preciso, porém alto. Por fim, parabenizou Zubac, dizendo que ele mereceu cada minuto e ontem fez por onde novamente, mas sem deixar de ressaltar que Mozgov também foi importante.

Luke Walton, após a vitória contra o Pacers:

“Gostei muito da vitória de hoje em razão da forma com que a conseguimos. Se Lou terminasse com 57 pontos, mas não fizéssemos nada além de pick-and-rolls altos o jogo inteiro e vencêssemos por 120 a 119, esse tipo de vitória não significaria nada pra mim. Como a conseguimos nos entregando na defesa, bloqueando cortes a cesta, jogando em transição e por boa parte do tempo os fazendo tentar arremessos difíceis, significa que estamos jogando da maneira correta. Quando se vence assim, a vitória é muito melhor.”

O que isso significa? Que muito além dos resultados, a forma com que o time os entrega é muito mais importante, seja nas vitórias ou nas derrotas. Diversas vezes na temporada estivemos com algumas vitórias nas mãos e elas escaparam, mas o saldo da atuação havia sido positivo. Os casos mais curiosos residem nas leads desperdiçadas, em especial contra o Heat e o Hornets, fora de casa: um dos times não é tão bom, conseguimos abrir 19 pontos sobre os dois, mas preferimos amargar a derrota, que veio em ambos os casos, do que procurar o que deu certo na construção da lead e o que deu errado para que ela tenha se esvaído. Luke aborda justamente a necessidade de procurar repetir os hábitos positivos e afastar os negativos, diversas vezes admitindo a frustração por não ser algo tão natural, mas também dizendo que tudo isso faz parte do trabalho e que ao menos o elenco reconhece os mesmos pontos que ele e tenta aplicá-los, mesmo que sem sucesso.

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Swag-El passando na sua timeline

Por fim, a questão da pick: tudo que menos precisamos são vitórias para sua manutenção, mas a de ontem veio talvez no momento ideal. É importante para a manutenção da confiança do elenco que os jogadores vejam o progresso de seu trabalho, então vitórias esporádicas tem seu valor, mas não é disso que falamos. Com o Heat em uma sequência de 8 vitórias e calendário favorável e o Lakers prestes a embarcar na Grammy Trip (5 jogos seguidos fora de casa e no Leste), a segunda ou terceira colocação na loteria deve se solidificar. Mesmo com a vitória de ontem, o Suns só está 0.5GB atrás do Lakers, devendo nos ultrapassar em breve. Logo, em alguns dias devemos voltar a ter os 55.8% de chances de reter a escolha de draft.

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